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PROGRAMAÇÃO

LANÇAMENTO DO CD 'EM CASA' - TRIBUTO A LUIZ EÇA - 25 ABR

SALA TEREZA RACHEL 

Dia 25/04 às 21h 

Plateia, Frisas e Balcão: R$35,00

Classificação: 12 Anos

Um time de craques da música popular brasileira tomará conta do Theatro Net Rio no próximo dia 25 de abril. Dori Caymmi, Edu Lobo, Igor Eça, Toninho Horta e Zé Renato se reúnem para lançar o CD “Em Casa de Luiz Eça”, em homenagem a Luiz Eça.

Luiz Eça não foi apenas um dos maiores músicos brasileiros da segunda metade do século XX. Pianista, arranjador, compositor, professor e líder de um dos mais criativos conjuntos vocais e instrumentais da música brasileira, o Tamba Trio, ele talvez tenha sido o músico mais influente de sua geração. Por isso, para celebrar os 80 anos do músico falecido precocemente em 1992, seu filho também músico, Igor Eça, resolveu produzir um disco que fizesse jus a todas essas dimensões do pai. Nasceu assim "EM CASA com Luiz Eça", disco que reúne quatro dos maiores músicos do Brasil (e por conseguinte do mundo): Dori Caymmi, Edu Lobo, Toninho Horta e Zé Renato, todos de alguma e intensa forma, discípulos de Luiz Eça.

O clima do disco - todo com músicas do homenageado à exceção de "Menino da noite", canção nova de Igor Eça e Paulo César Pinheiro também em sua homenagem - busca recuperar os inesgotáveis saraus que Eça promovia informalmente em sua casa, sempre de porta aberta para os músicos e amigos.

Eles chegaram ao estúdio da Biscoito Fino, no Rio, como quem entra na casa de um velho mestre, aquele mestre que de tão íntimo se torna amigo. Cada um trouxe a sua história e o seu talento como forma de homenageá-lo.

A casa de Luiz Eça, no Leblon ou em qualquer lugar que ele morasse ou estivesse, tinha as portas abertas. E o seu piano, sempre no centro da sala. E sentado diante dele um menino da noite, um músico constantemente entusiasmado, incansável, como se descobrisse a música a cada acorde, a cada tema novo, seu ou dos outros, que surgisse.

Pelo umbral da porta da casa de Luiz Eça, certa vez passou um menino que seria, senão o maior compositor popular do mundo em seu tempo, o sucessor de Tom Jobim, este sim o maior compositor do mundo de seu tempo. Edu Lobo chegou à casa de Luiz Eça com mais de uma dúzia de canções espetaculares para um compositor de qualquer idade, inacreditáveis para um garoto de 22 anos. Saiu de lá um com o seu primeiro e revolucionário disco arranjado, pronto para gravar. E com a maior aula de música que poderia haver.

Filho do gênio maior, um certo Dorival Tostes Caymmi Filho também apareceu certo dia pelos lados do Leblon. Não era compositor menor do que Edu, seu amigo de infância, aliás: pelo contrário, compositor de estilo próprio, inconfundível, original. Mas queria aprender mais e, veja só, mesmo nascido em berço de ouro, topou ser copista dos arranjos que Luiz Eça faria de seu próximo disco - copista, aquele sujeito que faz o trabalho braçal e extenuante de escrever as notas que cada instrumento da orquestra vai executar. E assim foi, Dori Caymmi mergulhou nas notas e acordes que seu mestre ia criando para o célebre disco "Luiz Eça e cordas", para muitos o maior disco de orquestra já gravado no Brasil, todo com temas de compositores populares que ele adorava. Juntou o berço, o talento próprio e essa inestimável aula de música e de vida para tornar-se, além do grande compositor, um dos grandes arranjadores do mundo.

Toninho Horta não saía da casa do Leblon e dos estúdios em que Luiz Eça estivesse gravando. Também pudera, trouxe de Minas para Leblon uma guitarra que de tão complexa e inusitada em seus caminhos harmônicos se equivalia aos acordes "de dez dedos" que Luiz Eça escrevia para o piano. Dessa parceria nasceu muita gravação e o arranjo mais lindo, de uma das mais lindas canções escritas, "Beijo partido" pelo Tamba Trio.

Zé Renato certa vez passou uma noite na casa do Leblon, totalmente fascinado por Luiz Eça. Que também era apaixonado por sua voz perfeita, associada a uma musicalidade que se traduz em suas composições, no seu violão e nas harmonizações  que executa com seu conjunto vocal, o Boca Livre. Nunca trabalharam juntos, falha histórica que nunca é demais corrigir - e que cantor, hoje, cantaria os temas de Luiz Eça com mais perfeição e naturalidade.

De repente, no estúdio estão diante do microfone simplesmente Edu Lobo, Dori Caymmi, Toninho Horta e Zé Renato. O mistério que os uniu ali chama-se Luiz Eça. E o clima é tão caseiro e pessoal, que ao lado deles nos vocais só poderia haver outras duas pessoas, os filhos Fred e Igor Eça. Este, o filho músico que idealizou e produziu "Em casa" como, de fato, quem dá uma festa em casa. O tema que eles todos gravaram juntos, "Tamba", não precisou sequer de ensaio: todos são tão íntimos da música gravada originalmente no primeiro disco do Tamba Trio, em 1962, que bastou meia dúzia de olhares e ajustes para que se gravasse em 15 minutos - todos tinham o arranjo original no ouvido e no coração.

O disco inteiro é assim, como se fosse um sarau atemporal na casa do Leblon. O objetivo era trazer o clima que tantas vezes Igor - menino deitado sob o piano ou adolescente aprendendo música com seu pai e professor - presenciou em casa.

Além de recriar os principais temas de Luiz Eça por seus filhos musicais, "Em casa " corrige até certas lacunas históricas deixadas abertas pela própria dinâmica muito própria da noite. Certa vez, por exemplo, Vinicius de Moraes apareceu de surpresa na casa do Leblon. Ouviu um tema de Luizinho ao piano, lindo, sofrido. Perguntou o que era e Luizinho triste, ao piano, revelou que estava se separando da mulher e que este seria o tema do adeus. "Quase um adeus", corrigiu e batizou Vinicius. E passaram a noite bebendo e compondo o que seria a primeira e única parceria dos dois, "Quase um adeus"  de Luiz Eça e Vinicius de Moraes. Mas a noite ia alta e os dois resolveram enrolar um cigarro e não havia papel de fumo na casa. Vinicius não titubeou: pegou a folha na qual escrevia a letra e deu para o parceiro enrolar o cigarro. Agora, com letra nova de Paulo César Pinheiro - "aluno" e sucessor de Vinicius como Dori e Edu de Luiz Eça - "Quase um adeus" ganha finalmente sua versão cantada por Zé Renato.

Nesse clima muito informal - mas de alta densidade musical - os amigos vão de revezando nos temas. Não se trata, neste sentido, de um disco clássico de "participações especiais", como era de esperar, mas de um sarau mesmo. Assim, Edu Lobo dá sua versão emocionada para um dos mais lindos sambas de Luiz Eça, "Imagem", com a letra original de Aloysio de Oliveira e um inédito interlúdio chamado “Imagem 2”, composto por Igor Eça sobre a música do pai, que chegou a ouvir. E aprovou.

Dori Caymmi, nos registros graves  e Zé Renato, nos agudos, cantam "Búzios", nome original do tema antes gravado como "3 minutos para um aviso importante".

Toninho Horta encara, voz e guitarra, a obra-prima "The Dolphin", um jazz-funk gravado duas vezes por Bill Evans (na primeira, ele "errou" a tonalidade original proposta por Luizinho, e registrou uma segunda vez para tocar com a harmonia original), que se tornou um standard do jazz e gerou uma afinidade impressionante entre os dois pianistas que resultou numa noite memorável a quatro mãos no piano do Chico's Bar, histórico bar na Lagoa no qual o brasileiro era músico-residente. 

"Chico's blues", aliás, tema feito para o bar é aqui solado de forma magnífica por Toninho Horta.

"Em casa", a música que dá nome ao disco e que é de uma alegria infinita, a intimidade e a surpresa são ainda maiores: a introdução vem de uma gravação informal de voz e piano no estúdio do próprio Luizinho, e Toninho Horta entra para continuar, como se pegasse o bastão musical deixado pelo mestre.

Para o clima ficar ainda mais caseiro, Igor Eça optou por seguir muito fielmente os arranjos originais do pai. E a formação que ele mais gostava de trabalhar - consagrada no Tamba Trio - a bateria, revezando-se dois mestres contemporâneos do instrumento Ricardo Costa e Jurim Moreira ; o baixo pelo próprio Igor, e o piano de Itamar Assiere, outro jovem mestre que encarou com galhardia tamanha responsabilidade não de substituir mas de fazer o piano num disco de Luiz Eça (e ouçam a introdução à Debussy que ele fez para "Búzios", e os solos ao mesmo tempo reverentes e pessoais que ele preparou para cada música). E também, como Bebeto Castilho volta e meia fazia no Tamba, a presença das flautas e saxofones de Mauro Senise, outro velho parceiro de Luiz Eça. Além, é claro, da onipresente guitarra de Toninho Horta.

É inestimável ouvir Dori cantando "Oferenda", Toninho entortando "Mestre Bimba" na guitarra, Zé Renato e Toninho Horta dando nova vida a "Alegria de viver", Edu transformando em sua, uma música que o formou, como "Imagem".  Mas o mais bonito é, de repente, enquanto Igor canta a sua canção nova em homenagem ao pai, "Menino da noite", em parceria com Paulo César Pinheiro ("Anoiteci pequenino/Não tive meia medida. A noite foi meu destino/Não tenho, desde menino, nenhuma noite perdida/ E enquanto houver uma lua, viola amor e bebida/Vai ter num canto de rua, brilhando na noite nua/A estrela da minha vida"), Dori virar para Edu e exclamar, emocionado. "Estou ouvindo a voz do Luizinho...". Como se estivessem - e estão - numa daquelas noites sem fim na casa à beira do velho canal do Leblon.